domingo, abril 23, 2006

LAS MOÑAI

Pelos brejos, pelos pantanales, pelos lagos sujos, pelos esteros, pelos rios anônimos, se escondem, se ocultam, se disfarçam, us Moñai, las Moñai, esses horripilantes bichos dúbios, duas caras, duas farpas na cabeça y dentes pontudos.

Em suo Diccionário de Supersticiones, Felix Coluccio escribe que su cuorpo es animal, mas suos pés são como rodas, rodas de lata, quando giram produzem infernal ruído.

Hay versiones generosas que apresentam us Moñai como duendes protetores de roubos, plagios y otras rapinagens.

Dizem também que se trata de uma serpente pequena, muito pequena y muito gruessa, gruessa como tronco di árvore.

Algunos imbeciles chegam a se casar com moças belas y simpáticas. Mas quando se dan cuenta, já es tarde. Se casaram com una Moñai. Non hay mais nada a fazer. Se casaram com un monstruo. Um monstruo com buceta.

Mas, para que sirvem las Monãi? Para assustar? Para divertir? Para espantar? Para afastar personas indesejáveis? Para despistar? Para horrorizar?

Qual a preferência de los Moñai? Homens? Mulheres? Adolescentes? Velhos decrépitos? Crianzas sensuais?

Solamente encuentro respuestas vagas. Nunca se puede saber qual é la dus Moñai. Um dia querem machos. Noutro dia querem fêmeas. Outro dia, crianzas. Outro dia, adolescentes. Mas parece que nem us Moñai sabem bien lo que quieren.

No fundo, no fundo, us Monãi non prestam pra nada. Son bichos, assim, inútiles. Son monstruos inútiles como flores.

quinta-feira, abril 13, 2006

U YAGUARETÊ-ABÁ

Metade índio, metade tigre, Yaguaretê-Abá vagabundeia solitário por la noite de las selvas paraguayas. Quando u sol aparece, ele desaparece. Vira genti comum. Vira homem di bem. Vira homem sério.

Índio-Trigre, Homem-Tigre, Yaguartê-Abá es pariente anônimus dus Aba-Poroús que Tarsila du Amaral imortalizou du lado Brasilero de la frontera.

Ele gusta di comer la carne crua de sus vítimas. Es un antropóphago. Es u inspirador du Mobimento de la Antropophagia liderado pelo gordo salbaje Oswald de Andradi.

Es também aquele hombre que vira Yaguaretê y engole suo interlocutor em Mio Tio Iauaretê, la célebre noubelle di João Guimarães Rosa.

En la remota África us homens, us afro-abás, também ya sabiam virar Yaguaretê.

Yaguaretê: Tigre di verdade. Yaguá: Tigre. Etê: Di verdadi.

Câmara Cascudo fala em suos libros du Onça-Boi, que vagabundeaba por el Amazonas, y du Onça-Borges, que vagabundeaba por la región du Rio São Francisco.

Algunas versiones falam dum índio que depois de se transformar en tigre, se afasta de sua casa e devora suas vítmas sem deixar um fio di cabelo.

Conozco una bersión que cuenta la história dum índio antropófago urbano. Ele sentia imenso plazer en comer la carne cruda di sus vítimas. Moraba no interior du Paraguay. Para non ser reconocido, se fantasiava di Tigre. Y cuando la fome di carne crua quedaba incontrolável, atacaba jovens, adultos, velhinhos distraídos, los devoraba num santiamén, y desaparecia sem deixar rastro.

U antropólogo argentinu Adolfo Colombres menciona u Yaguaretê-Abá en Seres Naturales de la Cultura Popular Argentina. Nessa versión, ele conta que u Abá (homem) se transforma em Yaguaretê (Tigre) y solamente retorna a su forma primitiba de Abá después de haber devoradu su presa.

Para virar um Yaguaretê, u índio se afasta, entra nalgum mato, solinho, altas horas de la noite, rola por el suelo dum lado pru outro, reza uma reza di trás pra frente y vira Yaguaretê.

Muitos paraguayos acreditam que u Yaguaretê-Abá, por arte di bruxaria, vira um Yaguaretê mais feroz que um Tigre comum.

Otros paraguayos acham que u Yaguaretê-Abá es un índio malandro y canibal, que non vira tigre porra ninguma, que apenas se fantasia de tigre para atacar sus víctimas y saciar suo hambre di carne humana.

Ninguem consigue matar um Yaguaretê-Abá com balas comuns. Las balas debem ser daquelas benzidas. Machete comum también non serve pra matar Yaguaretê-aba. U machete também deve ser benzido.

Hay muchas bersiones sobre us Yaguaretê-Abás, esses solitários hombres-tigres que habitam las selvas antigas du mio desprezado & caluniado Paraguai.

Conzoco uma bersión que cuenta que una vez un Yaguaretê-Abá non comeu sua víctima, una mezcla rara di minina y mulher, olhar di crianza, lábios carnudos y una buceta perfumada que enfeitizou u hombre-tigre.

Desta vez, Yaguaretê-Abá ficou encantado com la minina-mulher. Se apaixonou. Ficou extasiado. Depois si fudeu. Y sofreu por amor.

Sim, amigos, lectores, inimigos, detratores, invejosos, añamembys, amantes del arte y la cultura, las selvas paraguaias son una mescla salbaje di ficción y realidadi. Monstros como yo, como bocê, como u Yaguaretê-Abá, también se apasionan, também sufren por amor.

terça-feira, abril 04, 2006

AÔ-AÔ

Mescla bizarra di macho y fêmea, coxas grossas di musa, cabelos em cachos di ovelha, lá se vai u Aô-Aô, uno de los bichos mais filhus-da-puta de las selvas paraguaias.

Este vae solitário, desgarrado, fúnebre, cabisbaixo, envergonhado sabe se lá por qual motivo.

Mas geralmente los Aô-Aô seguem em manadas, uns protegendo aos outros, uns se escorando nos outros, uns se apoiando nos outros, sempre em manadas, pelos bosques du Paraguai, onde muito se divertem perseguindo y devorando cazadores y aventureiros distraídos.

Há quem diga que los Aô-Aô non existem. Dizem que son personas, homens, mulheres, advogados, autoridades, gente que se fantasia de ovelha pra disfarçar sua fome insaciável di carne crua.

Outros estudiosos de la Mitologia Popular Paraguaia afirmam que eles existem, que son demônios genti-boas, que los que falam mal deles assim lo fazem por mera inveja.

Eminentes estudiosos de la cultura guarani afirmam que u gozo dus Aô-Aô´s, mais que fornicar, es devorar, devorar las personas, assim, enteras, com cabeza y todo.

Olhos grandes e ingênuos, estilo mocinhas ingênuas, desprotegidas, que precisam di protección de la Polízia. Sus manos tem apenas 3 dedos, de donde salem garras pontudas. Sus pés son patas di cabras.

Devorar u corazom ainda caliente de suas vítimas, eis la alegria impagáble dus salbajes Ao-Aô du Paraguay.

A única maneira de escapar dum Aô-Aô es trepando no alto duma Pindovy, la Palmeira Azul, la mítica palmeira sagrada dos antigos guaranies.

Por que? Porque las palmeiras azules, las Pindovy, es u único árbole que us Aô-Aô respeitam. Las outras árvores eles non respeitam. Y cavam, com suas garras pontudas, cavam ao redor da árvore, até derrubá-las y deborar aquellos que nela se refugiabam.

Aô-Aô, é tudo que dizem, é tudo que sabem dizer. Aô-Aô, duas letras antiguas, duas sílabas salbajes.

Quem diria, por trás de esas sílabas infantiles, Ao-Aô, de essas caras di ovelhinas ingênuas, Aô-Aô, se escondem monstruos carnívoros capaz de roubar tuo corazom y devora-lo, assim, crudo y quente, fumegante, pulante, Aô-Aô, com gosto enferrujado di sangue.