quinta-feira, abril 13, 2006

U YAGUARETÊ-ABÁ

Metade índio, metade tigre, Yaguaretê-Abá vagabundeia solitário por la noite de las selvas paraguayas. Quando u sol aparece, ele desaparece. Vira genti comum. Vira homem di bem. Vira homem sério.

Índio-Trigre, Homem-Tigre, Yaguartê-Abá es pariente anônimus dus Aba-Poroús que Tarsila du Amaral imortalizou du lado Brasilero de la frontera.

Ele gusta di comer la carne crua de sus vítimas. Es un antropóphago. Es u inspirador du Mobimento de la Antropophagia liderado pelo gordo salbaje Oswald de Andradi.

Es também aquele hombre que vira Yaguaretê y engole suo interlocutor em Mio Tio Iauaretê, la célebre noubelle di João Guimarães Rosa.

En la remota África us homens, us afro-abás, também ya sabiam virar Yaguaretê.

Yaguaretê: Tigre di verdade. Yaguá: Tigre. Etê: Di verdadi.

Câmara Cascudo fala em suos libros du Onça-Boi, que vagabundeaba por el Amazonas, y du Onça-Borges, que vagabundeaba por la región du Rio São Francisco.

Algunas versiones falam dum índio que depois de se transformar en tigre, se afasta de sua casa e devora suas vítmas sem deixar um fio di cabelo.

Conozco una bersión que cuenta la história dum índio antropófago urbano. Ele sentia imenso plazer en comer la carne cruda di sus vítimas. Moraba no interior du Paraguay. Para non ser reconocido, se fantasiava di Tigre. Y cuando la fome di carne crua quedaba incontrolável, atacaba jovens, adultos, velhinhos distraídos, los devoraba num santiamén, y desaparecia sem deixar rastro.

U antropólogo argentinu Adolfo Colombres menciona u Yaguaretê-Abá en Seres Naturales de la Cultura Popular Argentina. Nessa versión, ele conta que u Abá (homem) se transforma em Yaguaretê (Tigre) y solamente retorna a su forma primitiba de Abá después de haber devoradu su presa.

Para virar um Yaguaretê, u índio se afasta, entra nalgum mato, solinho, altas horas de la noite, rola por el suelo dum lado pru outro, reza uma reza di trás pra frente y vira Yaguaretê.

Muitos paraguayos acreditam que u Yaguaretê-Abá, por arte di bruxaria, vira um Yaguaretê mais feroz que um Tigre comum.

Otros paraguayos acham que u Yaguaretê-Abá es un índio malandro y canibal, que non vira tigre porra ninguma, que apenas se fantasia de tigre para atacar sus víctimas y saciar suo hambre di carne humana.

Ninguem consigue matar um Yaguaretê-Abá com balas comuns. Las balas debem ser daquelas benzidas. Machete comum también non serve pra matar Yaguaretê-aba. U machete também deve ser benzido.

Hay muchas bersiones sobre us Yaguaretê-Abás, esses solitários hombres-tigres que habitam las selvas antigas du mio desprezado & caluniado Paraguai.

Conzoco uma bersión que cuenta que una vez un Yaguaretê-Abá non comeu sua víctima, una mezcla rara di minina y mulher, olhar di crianza, lábios carnudos y una buceta perfumada que enfeitizou u hombre-tigre.

Desta vez, Yaguaretê-Abá ficou encantado com la minina-mulher. Se apaixonou. Ficou extasiado. Depois si fudeu. Y sofreu por amor.

Sim, amigos, lectores, inimigos, detratores, invejosos, añamembys, amantes del arte y la cultura, las selvas paraguaias son una mescla salbaje di ficción y realidadi. Monstros como yo, como bocê, como u Yaguaretê-Abá, también se apasionan, também sufren por amor.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

OI! Sou uma amiga do Kurupicho y Dama Satán...ADOREI os seus bichos!
Belona.

sábado, 15 abril, 2006  
Blogger KuruPicho said...

yaguapyta, es una aldea que procrea poetas de ninguna parte linguisticamente y quiere decir yaguatere rojo, cata chamanica de aquellos !

domingo, 16 abril, 2006  
Anonymous joca said...

También viajan a la feria de Baires en busca de las butchangas, di esbírras de pêlo, de los pasteles cujo olor es lo mismo de las tardes queimando y non matan la hambre de comer y sin la sede de biber…

quarta-feira, 19 abril, 2006  

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